sábado, 28 de fevereiro de 2009

Jovem e Preso e Espancado no PS.



Quem for hoje ao Pronto Socorro de Rio Branco não pode mais reclamar da demora no atendimento, sob pena de ser algemado e brutalmente jogado naquele apertado porta malas dos carros da Polícia Militar. Foi o que aconteceu com o jovem Relys de Oliveira Araújo, que chegou ao local com os sintomas da dengue e ao reclamar por ter passado quase seis horas para ser atendido, teve as mãos algemadas e os pés amarrados por policiais militares na frente de dezenas de pessoas.

Um dos policiais disse que Relys teria desacatado uma das atendentes com palavras de baixo calão, no entanto, testemunhas afirmam que ele chegou ao Pronto Socorro às 9 horas da manhã, e como já eram 14:20h, e ele estava sentindo muitas dores de cabeça e uma febre muita alta, começou a perder a paciência. “Uma pessoa com fome, dor e febre, esperando ser atendido desde as nove horas da manhã, tinha mais era que ficar desesperada”, disse uma da testemunhas que acompanhou as cenas de brutalidades da polícia.

Os policiais algemaram o jovem dentro do Pronto Socorro e o arrastaram até o pátio onde ficam as ambulâncias. Lá, o jogaram dentro do porta malas de um carro tipo perua, de placa MZY-6168 (RP 06) da Polícia Militar, mas o rapaz reagiu afirmando que era um trabalhador e que tinha seus direitos de cidadão. “Estou doente, vim aqui para tratar da minha saúde, vocês não têm o direito de fazer isso comigo”, gritava o rapaz enquanto se debatia dentro do apertado porta malas do carro da PM.

Os policiais não quiseram conversar e tentavam de todas as formas empurrá-lo de volta ao famoso camburão. Um dos momentos mais chocantes foi quando eles [policiais] quase quebram a perna do jovem e ele começou a gritar de dor. As cenas repetidas de violência revoltaram os populares que se aglomeravam na entrada de emergência do Pronto Socorro de Rio Branco. Um homem ainda tentou interferir, mas um policial o olhou bem de frente e disse: “cala a boca e saia daqui! Se estiver com pena leva ele para a sua casa! ”. O homem fez uma expressão de medo e ficou calado, mas as dezenas de pessoas que estavam no local não deixaram de protestar contra os militares.

Relys Oliveira, ao ver que algumas pessoas filmavam e fotografavam as cenas fez um apelo às autoridades: “Por favor, não deixem que eles me matem! Não sei para onde vão me levar, preciso de ajuda!”

Os policiais saíram do local levando Relys algemado e com os pés amarrados, jogado um como animal selvagem dentro de um espaço que mal cabem duas malas. Até o momento não se sabe o que aconteceu ao rapaz que foi ao Pronto Socorro apenas procurar um tratamento de saúde.

O comandante da Polícia Militar do Acre, Romário Célio não foi localizado pela reportagem para falar sobre o incidente.

Texto e fotos: Wania Pinheiro

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