sexta-feira, 6 de março de 2009

PCC atua no exterior, dizem EUA

Os grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, aumentaram sua presença internacional, atuando em países como Bolívia, Paraguai e, "possivelmente", Portugal. A afirmação é de relatório anual do Departamento de Estado dos EUA que traça um painel amplo da situação das drogas no mundo.
Segundo o texto, divulgado na sexta-feira, crescem também as ligações dos dois grupos com traficantes colombianos e mexicanos. A renda da colaboração internacional ajudaria o PCC e o CV a comprarem armas e a manterem o controle de favelas em cidades como Rio e São Paulo. A conclusão vem a público num momento em que Portugal especula sobre a presença de dois supostos membros do grupo no país e a criação de uma facção local da gangue.
O relatório, que nesse ano chega a 638 páginas, é elaborado por ordem do Congresso dos EUA e, apesar de ser divulgado já na gestão do democrata Barack Obama, refere-se a 2008 e foi feito ainda sob a administração de seu antecessor, o republicano George W. Bush. Autoridades brasileiras que investigam a internacionalização do PCC são céticas quanto às conclusões sobre a presença do grupo em Portugal.
Ainda assim, o texto casa com relatos na imprensa daquele país sobre o surgimento do que batizaram de "PCP - Primeiro Comando de Portugal", que seria uma ramificação do grupo formada por imigrantes brasileiros, com atuação principalmente na Margem Sul do Tejo, na Grande Lisboa, e presença até no site de relacionamento Orkut. Jornais como "Diário de Notícias" e "Correio da Manhã" citam fontes policiais para apontar a ligação de dois brasileiros ao "PCP".
Um deles seria Edivaldo Rodrigues, preso em 2008, acusado de ter matado um ourives em Setúbal, ao sul de Lisboa. O outro seria o hoje foragido Moisés Teixeira da Silva, o "Cabelo", segundo a Polícia Federal brasileira um dos mentores do furto de R$ 164,7 milhões do Banco Central de Fortaleza, em 2005, o maior do país. Autoridades portuguesas não comentam a existência do grupo nem a ligação dos suspeitos.
No relatório da chancelaria norte-americana, intitulado "International Narcotics Control Strategy Report - 2009" (Relatório da Estratégia de Controle de Narcóticos Internacionais), Portugal é apontado como o porto de entrada para a Europa da cocaína traficada de países andinos via Brasil e Venezuela, com primeira escala em países do Oeste da África.
O texto diz que a droga produzida na Bolívia entra pelo Brasil via Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e por Guaíra, no Paraná. "A cidade se tornou um dos principais pontos de entrada de armas, munição e drogas do Brasil", afirma o Departamento de Estado, que cita investigação do Congresso brasileiro para dizer que o PCC "conduz abertamente a venda de armas naquela área". O levantamento usa tanto inteligência própria como a que é cedida pelos países citados.
Sobre o Brasil em geral, o texto afirma que o país é um dos vinte principais produtores e corredores de drogas do mundo e um dos 60 considerados os maiores lavadores de dinheiro (EUA e Reino Unido incluídos). Afirma ainda que é o segundo maior consumidor de cocaína, atrás apenas dos EUA.
Apesar de protestos dos governos do Brasil, Argentina e Paraguai, a chancelaria continua acreditando que a região da Tríplice Fronteira é fonte de financiamento para terroristas --os nomes dos grupos radicais Hezbollah e Hamas são mencionados como beneficiados. A Galeria Pagé e a Casa Hamsa, em Ciudad del Este, seriam "usadas para gerar ou movimentar fundos terroristas".

Por Sérgio Dávila

Nenhum comentário: