segunda-feira, 17 de maio de 2010

Centenas de hansenianos esperam por aposentadoria

A deputada federal Perpétua Almeida reuniu-se na manhã desta sexta-feira, 14, com os representantes do MORHAN, para buscar uma solução contra a burocracia da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Apesar de todos os que foram internados de forma compulsória trazerem sequelas da doença a Secretaria exige prova documental. Por conta dessa exigência apenas 100 dos mais de 500 hansenianos que deram entrada nos pedidos de aposentadoria especial foram contemplados.

Mas a luta para a qual eles pedem a intervenção da parlamentar é para que a indenização seja extensiva aos que nunca tiveram um documento sequer, ou seja aqueles que ficaram confinados para tratamento em suas próprias residências ou em barracos localizados em seringais distantes.

“Chegou a nós no MORHAN, um homem cuja doença foi detectada aos 12 anos de idade. Sabendo que ele não poderia conviver com o resto da família e como esta não tinha condições de transportá-lo para um hospital, fizeram um barraco no fundo do quintal onde ele passou 14 anos confinado. A mãe dele chegava com a comida e dizia: vou deixar a comida aqui, daqui há pouco vem pegar. Isso porque ninguém podia chegar perto dele”, informou o presidente do MORHAN Élson Dias que concluiu- “Essa pessoa além das seqüelas físicas tem as emocionais”.

Como este existem vários casos que se associam ao problema dos filhos de hansenianos. As crianças eram retiradas dos pais e levadas para educandários ou abrigos ou muitas vezes entregues para a adoção ou simplesmente colocadas na porta de outras famílias. Centenas dessas vítimas nunca mais encontraram os pais.

“Muitas vezes não deixavam nem a criança começar a mamar. Antes de ter qualquer contato com a mãe, já a retiravam da família. Com a minha filha foi desse jeito. Levaram e eu só encontrei quando ela já estava com 10 anos de idade no Educandário. Eu ainda tive sorte. Teve muitos pais que procuraram até morrer”, disse José Gomes da Silva.

Sensibilizada com as histórias e com a luta do MORHAN, a deputada Perpétua Almeida se dispôs a marcar uma reunião com o ministro de Direitos Humanos para tratar da questão. Ela pretende levar um grupo de hansenianos e os demais integrantes da bancada federal que quiserem ajudar.

“Temos que encontrar um meio. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos pode fazer convênio com secretarias estaduais e municipais ou até contratar alguém para fazer a pesquisa. Precisamos fazer com que entendam que testemunhos nesses casos precisam ser reconhecidos. As coisas ficam mais fáceis quando existe boa vontade. Esse pessoal já sofreu demais para continuar a margem da vida por causa de burocracia”, indignou-se a parlamentar.


A informação é de angélica paiva

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