terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Coral formado por reeducandos emocionou platéia no Tetrão, diz o portal ac24horas.

Nesse momento em que a sociedade acreana vem sendo sacudida com os casos de latrocínios praticados em sua maioria por autoria de reeducando em regime semi-aberto ou aberto, os juízes da Vara de Delitos Tóxicos e Acidentes de Trânsito e da Central de Penas Alternativas (CEPAL), em parceria com empresários, especialistas criminais e advogados, mostram que é possível ressocializar. Em noite memorável, ontem, no Teatro Plácido de Castro, eles apresentaram números surpreendentes. Dos 580 reeducando incluídos no Programa de Prevenção às Drogas e Reinserção Social do Tribunal de Justiça, apenas 04 retornaram ao crime.

Assim, a juíza Maha Kouzi Manasfi e Manasfi e o juiz Élson Sabo, mostram como é possível cumprir com o papel ressocializante, um dos problemas que mais afligem a sociedade brasileira: saber o que se deve fazer com aquela pessoa que agiu de forma ilícita, que transgrediu as normas ditadas pelo estado. 
- Nós precisamos acreditar nos homens – disse o desembargador Pedro Ranzi em entrevista exclusiva ao ac24horas.  
Para Maha Manasfi, a solução não é construir mais presídios, mas oferecer ao reeducando um ambiente mais favorável para ele poder trabalhar e sustentar a sua família.  
- Eu acredito nesse trabalho de reinserção social, acho que a divulgação foca muito o trabalho de reincidência no lugar de focar os crimes de pessoas que estão praticando pela primeira vez – comentou.

Para a juíza da CEPAL, os casos envolvendo reincidentes são exceções e não regra. A vitória apontada pela magistrada é, principalmente, “ver esses meninos entrando no mercado de trabalho, sustentar as suas famílias com dignidade e de forma lícita", comentou. Maha pediu apoio da sociedade, para ela, sem a participação social o trabalho da Justiça é prejudicado.
 - Às vezes eu falo assim, nem que fosse por motivo egoísta, esse reeducando que não conseguiu trabalho, amanhã estará assaltando você na rua, então nem que fosse por motivo egoísta você tem que fazer a sua parcela – concluiu a magistrada.

Durante a programaçao foi exibido a quarta etapa do programa de conscientização de dependência química. Segundo o juiz Élson Sabo, metade dos presos que estão condenados no presídio de Rio Branco são relativos do tráfico de entorpecentes
- Se a sociedade contribuir de alguma forma, no sentido de operacionalizar a reinserção social, de forma a profissionalizar os reeducandos, o retorno a sociedade será muito melhor – acrescentou o juiz.

O presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Pedro Ranzi, frisou a dureza dos processos trabalhados pelo judiciário, mas a sensibilidade social do que chamou de “mão amiga”.

- Esse é o pensamento da instituição, de não apenas condenar e mandar para o presídio, mas recuperar as pessoas, de dar oportunidade de essas pessoas voltarem ao processo normal – disse
O ponto alto do evento foi a apresentação do Coral Redenção, formado por 32 reeducandos do regime semi-aberto e aberto, com a regência do advogado, Otoniel Tury. Integrantes do curso de Cuidador de Idoso, realizado em parceria com o Ministério Público também participaram da programação. 
A iniciativa do Poder Judiciário do Acre, ratifica a campanha institucional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), denominada “Começa de Novo” que visa sensibilizar a população brasileira da necessidade de reinserir no mercado de trabalho e na sociedade, presos ou engressos do sistema carcerário.


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