quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

ECA

Esta semana esta sendo realizado pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, no auditório da biblioteca publica um curso de agentes comunitários de direitos humanos o evento e aberto a toda comunidade. Dentre muitos temas ali exposto pelos palestrantes, hoje falou-se sobre o Estatuto da Criança e Adolescente. Ali o palestrante falou da importância que tem o ECA para o Brasil, e os grandes avanços que o país tem dado na politica nacional, quando o assunto e a criança e adolescente. Mais na hora do intervalo ao servirem um lanche na parte externa do auditório via-se ali uma realidade totalmente diferente das que estão expostas no estatuto da criança e adolescente, e que foram também faladas no curso. Todas as pessoas ao saírem do auditório viam ali deitado e adormecido em um banco próximo a porta do auditório um menor, estava todo sujo, pálido,  roupas rasgadas, desamparado de todo mundo e da sociedade, ele não acordou mesmo diante da circulação de muitas pessoas, e do barulho da conversa de todo pessoal da hora do intervalo que estava no local. 

 Algumas pessoa ficavam admirando o menor naquela situação, outras olhavam com olhar de assustados, outras revoltadas e diziam " estamos diante de uma discussão sobre o estatuto da criança e adolescente e vemos em nossa frente uma realidade como esta" vi que uma senhora ligou pra alguém não sei de onde, comentou sobre a situação de que na porta do auditório estaria um menor em situação de risco e precisaria ser amparado. Ao terminar o tempo do intervalo todos retornaram a parte interna do auditório para continuação do curso, mais termino, o jovem ainda se encontrava no mesmo local, na mesma situação sujo, pálido, roupas rasgadas, e ainda adormecido, apenas alguém da organização do evento lhe deixou um misero pardaço de pão ao seu lado. Acho que na esperança de que quando acorde coma alguma coisa, talvez tenha pensado, quem deixou o pedaço de pão ao lado do garoto. 

Quando o assunto e a criança e adolescente no Acre, a realidade e totalmente diferente do que prever o estatuto, e em muitas vezes imoral, vergonhosa como esta e ninguém faz nada. Apenas olha. Eu sempre digo que em eventos bonitos, bem organizados, e diante da fala de doutores e especialistas como no caso de hoje tudo e muito fácil. Difícil mesmo e praticar, fazer, encarar a realidade como ela é e fazer algo pra mudar literalmente a verdadeira condição e situação do  menor e nosso estado. Estava ali um adolescente em uma situação total de risco e desamparado pela família, pelo estado, e a própria sociedade. A secretaria de Justiça e Direitos Humanos apenas olhou, estavam ali também universitários, agentes comunitários, assistentes  sociais, conselheiros tutelares e apenas olharam. Ninguém fez nada por que e essa a atual condição entre a realidade e o estatuto da criança e adolescente no estado do Acre e no Brasil. 

Em condições como esta da pra refletir um pouco no que diz a letra e musica de Zezé de Camargo e Luciano.

Ele não tem culpa, ele não deve nada
Ele é uma planta, tão frágil mal cuidada
Sua cabeça está à prêmio
Anjo do mal, anjo pequeno
Bandido com razão

Ele não tem culpa, ele só quer a vida
Ele é a vergonha, da pátria esquecida
Tem que roubar, tem que ser homem
Sobreviver, matar a fome
Salvar seu coração

Menino de rua eu te conheço
Dignidade não tem preço
Menino de rua quer ser gente
Menino pobre, tão carente
Pede uma chance pra viver

Menino de rua eu te conheço
Dignidade não tem preço
Menino manchete de jornal
Neste país de carnaval
Não tem comida pra você
Composição: Zezé di Camargo

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