segunda-feira, 30 de maio de 2011

Assassinato de ambientalistas no norte no país repercute no mundo no mundo inteiro;

Passados pouco mais de dois dias, desde o trágico assassinato de José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, os principais meios de comunicação da mídia internacional repercutem o crime.
O site do jornal argentino Clarín faz uma relação entre a morte dos extrativistas e aprovação, na Câmara dos Deputados, do novo Código Florestal. “Ambos faziam forte oposição ao projeto que concede anistia aos responsáveis por desmatamento ilegal realizados desde 2008”, diz o Clarín.
O Green Blog, no site do jornal norte-americano The New York Times, o jornalista John Rudolf denomina os extrativistas como “defensores da floresta” e relembra a fala de Zé Cláudio durante o TEDx Amazônia, mostrando que o mundo inteiro já sabia que ele e sua esposa, também líder extrativista, corriam risco de vida.
Na Europa, o El País, da Espanha, o jornalista Francho Barón também fez uma relação entre o novo Código Florestal e o assassinato de Maria e Zé Cláudio, e vai além: “Fazendeiros e madeireiros, os mesmos que Da Silva já havia denunciado, devem estar festejando a aprovação do novo código”.
O jornal britânico The Guardian, no qual José Cláudio chegou a conceder uma entrevista em vídeo há alguns anos, destacou que desde 2008, em um relatório de entidades de direitos humanos do Brasil, os nomes dos extrativistas já constavam em uma lista de ameaçados de morte. Em uma entrevista para o Guardian, o jornalista brasileiro Felipe Milanez, especializado em meio ambiente e chegou a entrevistar Zé Cláudio e Maria ano passado, diz: “Nós agora temos outro Chico Mendes”.
Até mesmo a Rede árabe Al Jazeera deu destaque para o assunto. Relembrando a trajetória dos líderes extrativistas do CNS, a matéria no site da Al Jazeera enfatiza uma constatação de Felício Pontes, Procurador do Ministério Público Federal em Belém: “O Estado do Pará é um lugar de muita impunidade: lá existem cerca de 400 casos não resolvidos envolvendo pessoas em áreas rurais”.
O assassinato dos extrativistas foi noticiado também pela agência Reuters, que relembrou uma triste coincidência: “Ambas as vítimas faziam parte da mesma organização fundada pelo lendário ambientalista Chico Mendes, assassinado por fazendeiros em 1988”.

 Fonte: Diário Online (CNS


O assassinato de Adelino Ramos no distrito de Vista Alegre do Abunã (RO) que também era ambientalista repercutiu no mundo inteiro, Os ministros Gilberto Carvalho  (Secretaria-Geral da Presidência da República) e Maria do Rosário Nunes (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) divulgaram uma nota sobre o assassinato do líder camponês.


NOTA 
 
1 Adelino era uma liderança reconhecida na região Norte do país, sendo presidente do Movimento Camponeses Corumbiara e da Associação dos Camponeses do Amazonas. Dinho, como era conhecido, morava em um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) com outras famílias e seu grupo buscava regularizar sua produção. Segundo lideranças locais, ele vinha recebendo ameaças de morte de madeireiros da região. Na manhã de hoje, na companhia de sua família, ele foi executado a tiros no município localizado na divisa dos estados de Rondônia, Acre e Amazonas. Cabe ressaltar que ele era um remanescente do massacre de Corumbiara, ocorrido em 9 de agosto de 1995, que resultou na morte de 13 pessoas.

2 O assassinato de Adelino Ramos merece o nosso total repúdio e indignação. Há três dias o Brasil se chocou com a execução de duas lideranças em circunstâncias semelhantes, no Pará. Hoje, mais uma morte provavelmente provocada pela perseguição aos movimentos sociais. Essas práticas não podem ser rotina em nosso país e precisam de um basta imediato.

3 Segundo levantamento conjunto da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos e da Ouvidoria Agrária Nacional, desde 2001, já foram registrados 71 assassinatos em Rondônia motivados por questões agrárias. Mais de 90% dos casos ficaram sem punição.

4 Imediatamente ao recebimento da notícia, entramos em contato com a Polícia Civil, com o governador do estado de Rondônia e com a Polícia Federal, exigindo a mais rigorosa atitude para investigar o caso e punir os criminosos, tanto os executores como os possíveis mandantes. É necessária uma ação enérgica e exemplar. Só coibiremos essa violência absurda quando acabarmos com a impunidade.

5 O governo brasileiro não tolera que crimes como esses aconteçam e fiquem impunes no nosso país. Nesta semana, a presidenta Dilma Rousseff já determinou que a Polícia Federal acompanhe as investigações no Pará, numa atitude enérgica e clara de que crimes como esses não podem se tornar uma prática rotineira em nosso país. Acompanharemos de perto os desdobramentos para garantir justiça. É isso que se espera de um Estado democrático de direito e é assim que o governo procederá.”

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