sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Funai inoperante: Conselho indigenista missionário critica o órgão depois do conflito em Brasiléia


O representante do Cimi, o Conselho Indigenista Missionário no Acre, criticou a Fundação Nacional do Índio (Funai) com relação às agressões a indígenas em Brasiléia. Para Lindomar Padilha, a inoperância do órgão ao longo dos anos, favorece a situações como esta.

O Conselho vai acionar o Ministério Público Federal e reivindicar que as terras sejam demarcadas às famílias indígenas sem-terra.

O Conselho Indigenista Missionário já analisou as imagens do conflito, que aconteceu no dia 14 de julho em Brasiléia.

As imagens, feitas por meio de um celular, mostram detalhes da ação da polícia que vitimou entre as famílias de sem-terra, índios jaminawas. Um deles inclusive perdeu a visão do lado direito, causado por um tiro de borracha.

Em maio, cerca de 300 famílias invadiram uma área de terra no final de um bairro do município e delimitaram lotes. A partir daí, a Prefeitura estaria à frente das negociações com o proprietário da terra.

Contudo, uma decisão judicial determinou a retirada das famílias. O comandante da PM, coronel José Anastácio, disse que a polícia agiu conforme o procedimento e que possíveis abusos seriam apurados.

O Cimi vai acionar o Ministério Público Federal, sugerindo que ele cobre da Funai relatório com localização do povo jaminawa sem-terra no Estado. Outro pedido é para que a Funai demarque terras para essas famílias. Estima-se que existam no Acre aproximadamente 800 indígenas sem terra.

O representante do Conselho Indigenista alega que a área de terra que foi demarcada pela Funai aos jaminawas não é suficiente, e que o órgão não sabe sequer a quantidade de índios que, tanto em área urbana quanto em área rural, estão em situação de sem-terra.

Ele disse não ter estranhado que a representante do órgão aqui, Maria Evanizia dos Santos, tenha demonstrado surpresa quando foi questionada sobre o conflito em Brasiléia.

“A Funai se mantém omissa e, infelizmente, a posição dela quando questionada sobre as causas indígenas é de desconhecimento. O conflito em Brasiléia é resultado desse descaso”, ressaltou Padilha.


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