segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Momovimento dos Direitos Humanos Acre reivindica a volta da gratuidade nos ônibus satelites da capital

O ônibus satélite Mutum, que faz a linha rural de 12 quilômetros até Rio Branco, voltou a ser o centro de polêmicas. Os moradores com destino final, na maioria agricultores, conquistaram, por força de lei, o direito de viajar de graça. Porém, há algum tempo eles próprios requereram ao Rbtrans para pagar a tarifa, alegando transtornos causados pela “presença de crianças baderneiras e marginais armados dentro do coletivo”.
A obrigação de pagar a passagem filtrou naturalmente os passageiros. A gratuitade foi suspensa atendendo aos argumentos dos pequenos produtores, o que praticamente zerou a ocorrência de vandalismo e arruaças durante as viagens de cerca de 25 minutos.
“A gente fica com medo. Não temos proteção nenhuma e quando chega alguém alterado a gente tem que ficar quieto. Era comum entrar marginais com bebida alcóolica e como o carro vivia lotado ficava difícil controlar”, testemunhou a cobradora Débora Brasil.
Na manhã desta segunda-feira, 24, o Movimento de Direitos Humanos do Acre reivindicou oficialmente a volta da gratuidade, como parte do sistema de integração do transporte público na capital, sugerindo que “todo e qualquer problema de desordem e violência deve ser combatido pela segurança pública”, segundo afirmou Jocivan Santos, que integra o grupo.
Numa tensa reunão na sede do Rbtrans, o movimento representou cerca de 500 famílias que habitam regiões intermediárias da linha do Satélite Mutum, onde estão situadas duas escolas públicas de ensino fundamental e dois conjuntos habitacionais construídos pelo governo. Os moradores se dizem muito prejudicados por que só existe este ônibus para atender toda as comunidades e, ainda assim, a linha é encerrada na altura do Café Contri, na entrada do Conjunto Tancredo Neves.
“Como só existe esse ônibus para esse trecho, quem mora naquelas imediações tem que pagar uma tarifa cheia (R$ 2,40) até a parada final, num percurso de pouco mais de dois quilômetros. A situação piora muito para quem tem negócios – e trabalha – no Centro de Rio Branco, que precisa desembolsar R$ 4,80 só de ida, e R$ 9,56 por dia”, disse Jorge Neto, do movimento de DH.
O transporte escolar mantido pela prefeitura, exclusivo para a linha mutum, não consegue atender as crianças que moram nos residenciais ali próximos. “Muitos chegam a pé”, afirmou o motorista José Alves, que é favorável á gratuidade no coletivo custeado pelo contribuinte.
O superintendente da Rbtrans, Ricardo Torres, ouviu as argumentações e ficou de dar respostas em alguns dias. “Levaremos a questão às autoridades e ouviremos as escolas. É um impasse do qual nós já tínhamos conhecimento e pretendemos solucionar em pouco tempo”, disse ele.
 

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