quarta-feira, 5 de junho de 2013

Movimento Hip Hop acusa prefeitura de preconceito cultural

Letra que critica o atual sistema político no Brasil pode ser um dos motivos de perseguição aos grupos que cantam Rap na capital. Câmara quer saber se existe abuso de autoridade nas intervenções que veem acontecendo na periferia de Rio Branco
 
 
O Movimento Organizado do Hip Hop no Acre acusou na manhã de hoje (4) a Prefeitura Municipal de Rio Branco de praticar preconceito cultural contra a agitação social e política que eclode na manifestação dos jovens de periferia. Segundo um dos organizadores do movimento, Jorge Neto, um fiscal da prefeitura abusou da autoridade ao acabar com o evento Palco Aberto, realizado no último dia 26, alegando a altura do som. A critica foi reforçada pela vereadora que compõe a base do prefeito Marcus Viana. Graça da Baixada afirmou que a Policia Militar de forma truculenta “está tirando o movimento das ruas”.
Israel de Morais conta que durante a apresentação dos grupos no evento Palco Aberto, em frente o mastro da bandeira do Acre, na Gameleira, os bares: Flutuante e Sahara também realizavam atividades paralelas e com sonorização igual à praticada pelo Hip Hop. Ele acrescentou que sem nenhum aparelho de decibelímetro – medidor de Nível de Pressão Sonora – a fiscal da Semeia interrompeu o evento e ainda autuou as lideranças organizadoras.
“Ficamos mais de uma hora discutindo com a fiscal e a Policia Militar tratados como bandidos, pelo contrário, o trabalho que realizamos tira os jovens do mundo das drogas”, comentou Israel.
Embora vereadores da base de sustentação do prefeito tenham tentado rechaçar a denuncia, a vereadora Graça [PSDC] fortaleceu o manifesto, afirmando que na Baixada da Sobral vários movimentos de Hip Hop sofrem com a perseguição da Policia Militar. “Estão tirando os movimentos das ruas”, acrescentou Graça.
Para a vereadora Eliane Sinhasique, os fiscais estão incomodados com a letra cantada no Rap que faz criticas pesadas contra o atual sistema político. A peemedebista disse que ao impedir a livre manifestação, a prefeitura e a Policia Militar praticam a velha ditadura.
Uma das letras citadas durante a apresentação no evento Palco Aberto, que foi interrompido pela prefeitura, é de autoria do grupo acreano de Hip Hop chamado Força Urbana. Diz: “A constituição nos assegura a liberdade de expressão, mas se eu canto a verdade é algema para minha mão”. Jorge Neto não descarta que a perseguição esteja ligada a uma tentativa de politização do movimento já que nenhuma outra manifestação até agora sofreu algum tipo de fiscalização por parte do município.
“O que estamos vivendo na capital é algo impressionante, essa cultura do Hip Hop é histórica no Brasil. Não vamos baixar a cabeça e nem encerrar as nossas atividades”, assegurou Neto.
O assessor especial Chicão Brígido articula uma saída harmoniosa para o caso. Uma reunião entre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semeia), a Fundação de Cultura Garibaldi Brasil e as lideranças do movimento será agendada ainda esta semana. Brigido disse que a ordem para interromper o movimento Palco Aberto não partiu do prefeito.
“O prefeito é um jovem jamais tomaria uma atitude como essa”, assegurou Chicão.
Os vereadores querem saber se ocorreu abuso de autoridade por parte do fiscal da Semeia. “Se existiu abuso esse profissional deve ser punido”, disse a vereadora Rose Costa (PT).
 
 
Jairo Carioca – da Câmara Municipal de Rio Branco
ac24horas.com

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