sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Mãe de jovem linchado em tentativa de assalto registra boletim de ocorrência.

A mãe de um dos homens linchados durante uma tentativa de assalto a uma lanchonete no bairro Floresta, em Rio Branco, na noite do dia 15, registrou boletim de ocorrência contra o dono do estabelecimento por tentativa de homicídio, lesão corporal e omissão de socorro. Segundo a dona de casa Vanilde da Cruz Rocha, de 46 anos, o filho foi torturado. "Pareciam urubu em cima dele, torturaram o meu filho. Até de capacete bateram nele", diz a mãe.
De acordo com Vanilde, o filho Jadson Rocha Melo, de 20 anos, é viciado em drogas e já tem passagem pela polícia por assalto, mas nunca feriu ninguém. Segundo ela, o jovem errou, mas deve ser julgado pela justiça, e não pelos homens que fizeram o linchamento.
 
"O dono da lanchonete agrediu o meu filho, machucou ele demais, quase 'espocou' a cabeça dele. A justiça tem que ser igual para todos, eu sei que ele entrou no local, mas quiseram fazer justiça com as próprias mãos", afirma a dona de casa.
A mãe do suspeito diz ainda que além do dono do estabelecimento outros dois policias militares estavam no local e viram a agressão. "Tinha dois policiais que viram tudo e não fizeram nada. Para mim, todos são culpados. Meu filho chegou a desmaiar, diziam para ele ficar em pé, ele não aguentava e caía, deixaram ele nu. Isso é um absurdo", se emociona a mãe.
Ainda segundo Vanilde, o diretor do presídio, por meio de um pedido dos Diretos Humanos, permitiu sua entrada na penitenciária para ver como estava o filho. "Ele está com um ferimento embaixo dos olhos, a cabeça toda ponteada. Eu não acho isso normal, nem certo. Se existe polícia e justiça é para esses casos", lamenta.
 
Vanilde conta que entregou o vídeo que mostra a agressão ao filho para os Direitos Humanos. "Eles ficaram indignados com o que aconteceu. Me falaram que esse tipo de coisa não pode acontecer", afirma.
"Isso é muito grave, meu filho é um jovem e eu creio que ele mereça uma segunda oportunidade. Eu quero justiça, porque se esse homem fez isso com meu filho tem que pagar também. Eu acredito que todos nós temos nossos direitos", afirma Vanilde.
O delegado titular da 4ª regional, Odilon Vinhadelli Neto, disse que não tem conhecimento sobre o caso. "Ainda não tenho conhecimento do caso, nem da ocorrência e só vamos poder nos manifestar após as investigações sobre o roubo. Vou pedir a cópia do procedimento e, se for o caso, vamos iniciar as investigações", afirma.


G1/AC

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