sábado, 9 de maio de 2015

Policiais são flagrados agredindo e torturando jovens em Manaus.

Familiares de jovens agredidos denunciam violência policial

Policiais militares espancaram uma adolescente de 15 anos e agridem outros dois homens durante a madrugada de quarta-feira

Familiares de três jovens de 15,18 e 22 anos denunciam três policiais militares da Força Tática por agressão e tortura. O crime teria acontecido na madrugada da última quarta-feira, na comunidade Jesus me Deu, na Zona Norte, onde o trio foi agredido com socos, pontapés e pauladas.
Segundo as vítimas, três policiais, um deles encapuzado, desceram da viatura, renderam os jovens e iniciaram as agressões. Todos eles ficaram com hematomas pelo corpo. “Quero que a justiça seja feita”, afirmou a mãe da adolescente, Maria das Graças Nascimento Coelho, 37.
A ação foi gravada pelas câmeras de segurança de uma pizzaria que fica próxima ao local. As imagens mostram o momento em que os PMs descem da viatura e abordam primeiro o auxiliar de padaria L.F.C.P., 22. Ele é empurrado para a parede  de uma mercearia e agredido com tapas e pontapés.
“Eu estava lanchando aqui na frente quando eles chegaram e mandaram eu ir para parede e já foram me batendo. Não me revistaram, nem me algemaram e mandaram eu ajoelhar”, disse a vítima. Ainda segundo o jovem, um dos policiais pegou um pedaço de madeira e bateu pelo menos 16 vezes nas costas e nas nádegas. “Não tinha motivo para eles fazerem isso. A gente não estava fazendo nada de errado”, afirmou.
A versão foi confirmada pela adolescente C.C.S, que disse ter levado 20 pauladas. Ela também foi agredida com tapas nas costas, obrigada a tirar a roupa na frente dos militares e depois a obrigaram bater nos colegas.
“Eles mandaram eu ficar sem roupa e mandaram eu me abaixar. Um deles chegou a encostar o cuturno nas minhas partes íntimas, mas eu levantei. Depois eles mandaram eu bater nos meninos, senão eu ia apanhar mais. Tive que bater”, contou a menina que para sentar, precisa usar uma almofada, já que os glúteos dela também ficaram com muitos hematomas. 
Os moradores do local disseram estar amedrontados e revoltados com tanta violência e afirmam ter medo que cenas como essa voltem a se repetir no bairro. “Isso nunca aconteceu aqui e a gente não entende o porquê deles terem feito isso. Estamos com muito medo”, disse uma mulher que preferiu não se identificar. 
O caso foi registrado no 18º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no Novo Israel, Zona Norte. Ontem, as vítimas também denunciaram o caso à Corregedoria.
Vítimas ouvidas
O corregedor auxiliar da Polícia Militar coronel Euler Cordeiro disse que a denúncia chegou à Corregedoria na manhã desta quinta-feira (7), por meio das vítimas. Elas foram ouvidas pelo oficial do dia que tomou o depoimento delas e diante da gravidade do caso foi encaminhado ao Comando Geral da Polícia Militar para que seja instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM).
De acordo com Cordeiro, as vítimas  foram submetidas a exame de corpo de delito quando  foram a corregedoria. As vítimas apresentaram fotografias das lesões causadas pelo espancamento. Na corregedoria foi instaurada uma sindicância para verificar a conduta disciplinar dos policiais envolvidos e foi solicitado o afastamento dos policiais autores da agressão.
Para o corregedor  auxiliar,  a ação dos policiais pode ser vista no mínimo como lesão corporal, mas  também como tortura ou abuso de autoridade. “Nós  estamos trabalhando para identificar a guarnição e intimá-las a prestar depoimento”, disse o corregedor auxiliar.

Capitão responsável por inquérito quer a prisão preventiva dos policiais agressores

A CRÍTICA teve acesso aos nomes dos três policiais que torturaram um trio de jovens na madrugada de quarta-feira. Ação foi gravada por câmeras de segurança

O cabo Fábio Luis Paiva dos Santos, 37, e os soldados Carlos Diego do Nascimento e Silva, 28, e Jamesson Pinto Moreira, 27,  envolvidos na agressão a três jovens de 15, 18 e 22 anos, da comunidade Jesus me Deu, Zona Norte, podem ter a prisão preventiva decretada a qualquer momento e podem ser expulsos da corporação, conforme informou, nesta sexta-feira (8), o Comandante-Geral da Polícia Militar, coronel Glberto Gouvêa. 
O crime teria ocorrido na madrugada da última quarta-feira (6) e a ação dos policiais foi gravada por câmeras de segurança de uma pizzaria próximo do local. As imagens mostram  os policiais agredindo as vítimas com pedaço de madeira.
Gouvêa  explicou que os policiais foram ouvidos pela corporação mas não entrou em detalhes sobre as justificativas apresentada pelos suspeitos. Disse apenas que os envolvidos não apresentaram justificativas plausíveis para as agressões. 
“O policial  também é cidadão  e a eles serão garantidos o direito a ampla defesa e contraditório. A partir do  momento em que as investigações forem encerradas, teremos uma visão das punições que eles sofrerão e razão dos fatos e atos que praticaram”, ressaltou o comandante.
Segundo ele, o responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM), o capitão Marcos Almeida, que vai cuidar da parte criminal do caso, já representou pela prisão preventiva dos militares e aguarda a manifestação da Justiça Militar.
Além disso, há também os procedimentos adotados pela Corregedoria-Geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), que vai cuidar dos trâmites administrativos, e que vai decidir pela exclusão ou não dos militares do sistema de segurança.
Ainda de acordo com Gilberto Gouvêa, o cabo, que era o comandante da guarnição, será submetido a um Conselho Disciplinar, por ser o mais antigo do trio. Os dois soldados serão investigados, também,  por uma sindicância disciplinar. As investigações podem durar  de 30 a 90 dias.  
“De imediato, esses policiais foram afastados das funções dentro da Força Tática e serão transferidos para outros quarteis, para setores administrativos, enquanto as investigações acontecem”, afirmou o Comandante-Geral.
SSP determina rigor
O secretário de segurança, Sérgio Fontes, disse nesta sexta-feira que tomou conhecimento do ocorrido por meio da imprensa. Pela manhã foi instaurado Inquérito Policial Militar (IPM) que é quem vai apurar  o criminal, enquanto que a corregedoria vai apurar a parte administrativa, dependendo do resultado os suspeitos poderão ser excluídos da corporação. “A minha determinação é que o caso seja apurado com rapidez e rigor”, enfatizou Fontes.
OAB-AM repudia a ação dos policiais
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM) Epitácio Almeida, demonstrou indignação ao falar sobre o caso. Para ele, os policiais militares deveriam ter sido presos em flagrante assim que foram identificados.
“O que aconteceu foi crime de tortura que é hediondo e inafiançável. Esses PMs já deveriam estar presos. É muito grave o que eles fizeram”, disse.  Epitácio declarou que foi à Corregedoria pela manhã  e que conversou com o corregedor Leandro Almada. Segundo ele, a conduta dos três PMs é vexatória.
“Eles colocaram as pessoas de joelho e de forma bestial e desumana passaram a espancá-los. Para mim fica cristalino o crime de tortura. O que me causa estranheza é por que depois de identificados não foram presos em flagrante”, disse. "Nós vamos acompanhar de perto  o andamento das investigações e ouvir as vítimas”, finalizou.
Saiba mais: Família assustada
“Ou você se muda daqui, ou nós vamos te levar para o varadouro”. Esse foi o aviso que dois homens encapuzados passaram para a adolescente C.C.S. 15. A  menina estava em casa, no bairro Jesus Me Deu, na Zona Norte, por volta das 21h quando chegaram dois desconhecidos. A mãe da menina, Maria das Graças Nascimento Coelho, 37,   disse que a família está assustada, mas que não vai mudar de endereço, já que não tem para onde ir.


O pedido de prisão preventiva dos três policiais foi feito ontem (9) e, ontem mesmo, aceito e decretado pela Justiça Militar. Vídeo registrou momento das agressões


Foram presos neste sábado (9) em Manaus os três policiais militares da Força Tática que agrediram e torturaram três jovens de 15, 18 e 22 anos durante uma abordagem na comunidade Jesus me Deu, Zona Norte, em Manaus, na última quarta-feira. Em um vídeo divulgado pelo Portal A Crítica, é possível ver o momento da agressão.
A prisão preventiva dos três policiais foi solicitada ontem (9) pela Diretoria de Justiça e Disciplina da Polícia Militar e, ontem mesmo, foi aceita e decretada pela Justiça Militar. A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, e pelo corregedor auxiliar da PM, coronel Euler Cordeiro.
Segundo Euler, os três PMs – cabo Fábio Luis Paiva dos Santos, 37, e soldados Carlos Diego do Nascimento e Silva, 28, e Jamesson Pinto Moreira, 27 – já sabiam desde a noite de sexta-feira (8) sobre possibilidade de serem presos a qualquer momento. As prisões foram efetuadas por PMs que prestam serviço para a Corregedoria da PM.

Após a prisão, os policiais foram conduzidos ao Presídio Militar, no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus. Além de serem presos e responderem por inquérito policial militar, eles poderão ser expulsos da corporação, o que ainda será averiguado em sindicância na Corregedoria. O cabo Fábio Luis está há mais de 15 anos na PM do Amazonas e os dois soldados Carlos Diego e Jamesson fazem parte da corporação há cerca de 4 anos. 
Denúncia
Imagens de uma câmera de vigilância registraram o momento em que os policiais desceram da viatura e agrediram com socos, pontapés e golpes de pau as costas e as nádegas dos três jovens – dois rapazes e uma moça. As vítimas das agressões ficaram com marcas e hematomas nas regiões do corpo atingidas. Familiares dos jovens fizeram a denúncia do caso.
Ministério Público
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) também abriu uma investigação para averiguar a conduta dos três policiais. A promotora de Justiça Cley Barbosa Martins, da 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceap), abriu um Procedimento Preparatório para investigar o fato.
Vítimas
A reportagem do A CRÍTICA conversou com as vítimas das agressões. Segundo os jovens, os três policiais desceram da viatura, renderam os jovens e iniciaram as agressões – um dos PMs estava encapuzado, Primeiro eles abordaram o auxiliar de padaria L.F.C.P., 22, que é empurrado para a parede e agredido com tapas e pontapés.
“Eu estava lanchando aqui na frente quando eles chegaram e me mandaram ir para parede e já foram me batendo. Não me revistaram, nem me algemaram e me mandaram ajoelhar”, disse a vítima. Ainda segundo o jovem, um dos policiais pegou um pedaço de tábua de madeira e bateu pelo menos 16 vezes nas costas e nas nádegas. “Não tinha motivo para eles fazerem isso. A gente não estava fazendo nada de errado”, afirmou.
A versão foi confirmada pela adolescente C.C.S, que disse ter levado 20 pauladas. Ela também foi agredida com tapas nas costas, obrigada a tirar a roupa na frente dos militares e depois a obrigaram bater nos colegas.
“Eles me mandaram ficar sem roupa e mandaram eu me abaixar. Um deles chegou a encostar o cuturno nas minhas partes íntimas, mas eu levantei. Depois eles me mandaram bater nos meninos, senão eu ia apanhar mais. Tive que bater”, contou a menina que para sentar, precisa usar uma almofada, já que os glúteos dela também ficaram com muitos hematomas.


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