quarta-feira, 3 de junho de 2015

Primeira cirurgia de correção pulmonar em bebê é realizada no Acre.



A primeira cirurgia para correção de má-formação pulmonar em recém-nascidos no Acre foi realizada na última quarta-feira, 27. O procedimento representa um avanço considerável no campo da cirurgia neonatal.
O paciente, que na data da cirurgia estava com 12 dias, teve o problema detectado já durante o pré-natal. Leidiane Barbosa, de 18 anos, conta que estava no quinto mês de gestação quando recebeu a notícia de que Rafael, o filho, teria problema em um dos pulmões. “Fiquei assustada e com muito medo, mas fui tranquilizada quando a médica disse que a cirurgia de correção poderia ser feita quando ele nascesse”, contou.
Alguns dias após seu nascimento, Rafael apresentou cansaço com piora progressiva e precisou da ajuda de aparelhos para respirar. Uma tomografia de tórax confirmou a doença, que levaria a criança à morte em poucos dias. A cirurgia de urgência foi então providenciada e realizada na Maternidade Bárbara Heliodora.
A cirurgiã pediátrica Fernanda Lage foi a responsável pela operação, juntamente com o cirurgião torácico Everton Beltrane, de Porto Velho (RO). “Saber que ele não teria que viajar para fazer a cirurgia em outra cidade também me deixou muito mais aliviada”, relata Leidiane. Hoje, aos 18 dias, o pequeno paciente já respira sozinho e terá uma vida normal, sem nenhuma sequela, segundo Fernanda Lage.
Má-formação adenomatoide cística pulmonar. Como é?
Embora rara, a má-formação adenomatoide cística pulmonar (MAC) é uma anomalia caracterizada pelo crescimento excessivo dos bronquíolos, o que resulta na formação de nódulos. A doença corresponde a 25% das má formações pulmonares, e sua principal manifestação é a insuficiência respiratória. A cirurgia é o tratamento mais indicado.

“O pedaço de pulmão afetado não consegue respirar e ainda causa compressão do pulmão sadio. É o caso de uma cirurgia de urgência, para garantir a sobrevivência do bebê”, explicou a cirurgiã.
Até então, no Acre, os bebês que nasciam com má-formação no pulmão tinham que ser encaminhados para outros Estados, por Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no ar, atravessando grande risco de morte durante o transporte.

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